Receitas das vendas de telemóveis caem pela primeira vez
Os portugueses passaram a escolher os telefones em função do preço, fugindo dos topo de gama e obrigando os fabricantes a baixar os preços. Desta forma, o valor das vendas recuou 6%.
Ana Rita Guerra
Crescimento zero e redução do volume de negócios. Foi o que aconteceu ao mercado português de telemóveis no primeiro semestre, com uma queda inédita de 6% em valor e estagnação completa em número de unidades vendidas.
Os dados, a que o Diário Económico teve acesso, são da empresa de estudos de mercado GfK Portugal e apontam para uma tendência “claramente negativa” no valor gerado pelo mercado. Não só porque as vendas congelaram, mas também porque os preços médios de venda estão a cair drasticamente.
“Para manter o volume de vendas, as marcas estão a oferecer preços muito baixos”, explica Jorge Reis, director da divisão de ‘business’ da GfK Portugal. O responsável revela que o preço médio dos equipamentos vendidos através de operador desceu de 111 euros em Junho de 2007 para 91 euros em Junho de 2008. Uma quebra que pode acentuar-se nos próximos meses, visto que “todas as marcas estão a apostar em preços mais baixos” e que “a tecnologia está cada vez mais barata”.
No entanto, a redução do valor do mercado não se deve apenas ao embaratecimento dos telemóveis. Deve-se sobretudo ao facto de os portugueses terem passado a optar pelos modelos de entrada de gama – nomeadamente, pela fasquia dos telemóveis que custam menos de 40 euros.
De acordo com as contas da GfK, esta gama representa já 27% do total das vendas, quando em Junho de 2007 representava apenas 17%. É, de longe, o segmento que mais volume de vendas representa.
Será este um reflexo da crise, com a contenção dos gastos a fazer-se sentir? Ou apenas um sintoma de que a tecnologia está de facto muito barata? Para Jorge Reis, são ambos. Arriscando que “vêm aí os telemóveis a 10 euros”, o responsável da GfK ressalta que “por menos de 100 euros já se consegue um telemóvel com câmara, música e outras funcionalidades”.
Por outro lado, o director revela que há segmentos de preços que “não pegam”. É o caso do intervalo 300-400 euros, que representa menos de 5% em valor e número de equipamentos vendidos.
A excepção a esta regra aparece em casos como o iPhone 3G, da Apple. “Estamos em crise e o iPhone é caro, mas a verdade é que pode fazer disparar as vendas até agora estagnadas”, concretiza Jorge Reis. O especialista considera ser “difícil” prever se o mercado irá continuar em curva descendente, mas vai dizendo que “qualquer produto acima dos 500 euros terá sempre sucesso, porque há mercado para isso”.
Mercado português é controlado pela Nokia
Dos 1,48 milhões de telemóveis vendidos em Portugal no primeiro trimestre, segundo a consultora IDC, mais de metade era Nokia. A fabricante finlandesa conseguiu 50,5% de quota nos primeiros três meses do ano, seguida pela Samsung (25,1%) e Sony Ericsson (8%). No entanto, estes dados não são consensuais. Jorge Reis, da GfK, admite que não é fácil apurar exactamente quantos telemóveis são vendidos por todos os fabricantes e que “apenas as operadoras móveis podem fornecer esses dados” com um grau de certeza mais rigoroso, uma vez que “90% do negócio” passa pelas três concorrentes. Além disso, e ainda sem informações disponíveis para o segundo trimestre, Jorge Reis acredita que os números de Janeiro a Março poderão estar inflacionados.
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